quinta-feira, 1 de novembro de 2012

algo de que se lembra

Havia acordado com algo em mente.
Uma sensação, um algo nostálgico. Um algo instigante.
Azuri levantou-se, intrigada, e olhou os arredores.
Não, não era o verde gentil dos campos que queria ver. Também não era pela luz que batia na janela que se interessava, tampouco pelo ar que respirava.
Queria ver fotos. Fotos de sua vida, fotos que achava que tinha, fotos do tempo, fotos de algo que talvez nunca lhe pertencera.
Foi então vasculhar o armário e, ainda em bocejos, tirou de seu caminho cada objeto que pudesse lhe esconder algumas fotos. Poderia estar dentro de uma caixa, ao lado de um cabide caído ou nas dobras de uma roupa também jogada?
Fotos, fotos, memórias, memórias... Não achava as tais memórias.
Mas continuou procurando-as, desejando desesperadamente não mais achar fotos que achava que tinha, e sim fotos que tinha certeza que tinha.
Por fim, Azuri sentou-se em frente ao móvel e chorou um pouquinho.
Lembrou que não tinha fotos. Nunca as tirara. Nunca quisera. Mas por que agora as queria?
Lembrou que não tinha memória.
Mas logo sorriu! Se havia lembrado, então talvez tivesse memória, afinal. Lembrando que até aquele momento não tinha memória, poderia começar a ter uma memória naquele momento!
A animação também começou a lhe tomar ao sugerir todo o tipo de coisa que poderia fazer com sua nova memória. Agora poderia guardar todo o tipo de experiência.
Poderia começar com uma foto.



Oi, pessoal! Tudo bem? 
Espero que gostem desse texto! Estou começando a trabalhar em uma OC, a Azuri-chan, que vai aparecer em vários contos. Também vou tentar atualizar o blog com mais frequência!

Beijos,
Bell

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Utakata Hanabi


Oi, pessoal! Tudo bem? Espero que sim! Só vim fazer um post rápido. A música acima, lançada no álbum Today Is A Beautiful Day, é cortesia da banda supercell e da cantora Yanagi Nagi.
De todas as músicas japonesas que falam sobre fogos de artifícios, acho essa a mais bela. Espero que gostem! 

Beijos,
Bell

domingo, 16 de setembro de 2012

Futatsu

                                                                                   時間の事。
                                                                                   Coisas do tempo.

O que é nostalgia?
É uma sensação? É um sentimento? É "nada"?
É algo que todos nós já vimos passar perante nossos olhos.
Na verdade, nostalgia é algo que nos permite pensar que os tempos passados foram melhores.
É uma sensação. É um sentimento. É "nada".
Mas são sensações e sentimentos da nostalgia verossímeis?
Não. Só "nada" é verossímil.
Porque a nostalgia é um nada. Um nada que montamos na forma do tempo, e com o tempo.
Os tempos sempre são bons e ruins, os passados e os de agora.
A nostalgia age exatamente ao contar-nos que os tempos passados foram melhores, porque não é possível que o ruim de agora tenha sido sempre ruim.
O ruim já foi o melhor.
E talvez prezemos a nostalgia para que conte-nos, novamente, que os tempos de agora ainda serão o melhor do ruim dos tempos seguintes.
Mas se os tempos de agora e os seguintes também passarão,
E poderemos dizer que tudo é uma roda de tempos passados,
Por que o ruim não é o eterno melhor?



                                                                                   E só o olhar


Nesta noite, todo silêncio ressoa. Todo barulho silencia.
Nesta noite e nesta casa,
Todo o silêncio e barulho uma vez ansiados
Já não são silêncio, tampouco barulho.
São nada mais que as nuances do vestido de estrelas que paira acima desta noite e desta casa.
Que paira acima de todos nós, nesta noite.
E só o olhar
Para esta fogueira, acesa nesta casa
Tranquiliza.
E só o olhar
Redefine o silêncio e o barulho que, fora de olhares, não eram mais si mesmos.
E só de olhar
O crepitar do fogo
O barulho do crepitar
Silencia.

 

Oi, pessoal! Tudo bem?  Espero que o post tenha agradado! Dessa vez, tentei fazer uma espécie de "jogo de palavras" nesses textos. O segundo, na verdade, foi um tributo à um personagem de Xenosaga, Jin
Uzuki. 
Aliás, o título, "Futatsu", significa "dois" em japonês.

Muito obrigada pela visita!
Beijos,
Bell



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Maybe tomorrow

E ali estava.
Sem origem alguma, mais relembrava um amontoado de cacos de porcelana e aço descuidadamente fundidos. Um amontoado de cacos de porcelana e aço descuidadamente fundidos que, no entanto, parecia emitir uma espécie de afeto, típico de algo um dia amado por alguém, em algum fluxo, em algum tempo. Com um olhar mais próximo, de fato, se notava um ar de boneca no amontoado, que talvez não fosse mais um amontado.
Um ar de boneca, então poucos fios azulados de cabelo, então um braço enluvado, então alguns dispositivos... Uma perspectiva otimista poderia até notar uma semelhança a um corpo. Pálido e ainda porcelana, ofuscado pelo barro dos arredores, mas um corpo. E, quase que imperceptível dentre as engrenagens e a palidez de uma estrutura prejudicada ou pelo tempo em si, ou pelas memórias de um tempo anterior que avisa que não voltará, uma face. Sim... Um sorriso em uma face.
Um amontoado de cacos de porcelana e aço descuidadamente fundidos, uma boneca perdida durante um passeio rotineiro ou um corpo recém-vindo de um ventre, não seria fácil definir os traços daquele ser que jazia no chão de um planeta tão nostálgico quanto o próprio.
Algo, entretanto, poderia ser definido com a certeza do mais cético observador. Uma voz, uma vozinha... Deixando aquela forma, contercendo-se em um tom um tanto robótico, se permitiu ser carregada pelo vento, também anunciando, e, talvez, prevendo um novo céu que pertenceria ao planeta-nostalgia.

Shutting down systems.



Olá, pessoal! Tudo bem?
Perdão a ausência nos últimos meses. Como aviso de retorno, resolvi postar um texto-tributo à KOS-MOS, nossa eterna e adorada personagem de Xenosaga! A frase no fim, "Shutting down systems", é a que ela costumava falar na trilogia. Foi baseado no final do Xenosaga III e nessa imagem (perdão, não havia o nome do artista quando achei-a, mas os créditos pela bela obra vão ao mesmo). O título novamente provém de uma música, tocada do final do jogo:
Espero que gostem, tanto fãs da série quanto os que a conheceram através desse texto!
Por favor, vamos mostrar nosso amor à Kosu!
Beijos,
Bell 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

kokoro x kiseki

Todos nós possuímos dois corações.
Como que duas galáxias incrustadas em nosso peito, eles repousam na mais sutil coexistência.
O primeiro, o biológico, é incumbido de bombear o sangue que perscruta todo o nosso corpo e de nos manter, em termos igualmente biológicos, vivos.
O segundo, o metafórico, é um elemento que, por sua vez, jamais será visto em qualquer exame, senão talvez o psicológico. É emocional, singelo e fragilizado; arduamente ousaria bombear o sangue alheio, mas encontra-se de tamanho modo enraizado à nossa corrente psique-alma que, de certo ponto, também nos mantém vivos.
É o coração das crenças, desavenças, amores, desamores. Daquela vivacidade que lhe instiga a perpassar os céus, e daquela dramaticidade que lhe leva a questionar a noção do existencial.

Serei amado ou repudiado? Real ou inexistente? Meramente complexo ou grandiosamente simplório?

É o coração das poesias, das analogias, e costuma disputar entre parâmetros sociais algum ombro acolhedor com quem possa libertar-se. Cansa-se ante as responsabilidades e os estereótipos, ainda que idealize uma vida com um quê de contos e literatura. Amadurece em tempos necessários, contudo com um formato tipicamente aventureiro. Reflete sobre os abismos oceânicos, as dimensões de nosso universo, teoriza com tudo e todos, e mesmo assim tem dúvidas sobre o que comer no próximo café-da-manhã.
Não adianta, entretanto, persuadi-lo; uma vez com suas alusões e ilusões, terá um olhar de íris intrépidas sob os mundos ao seu redor, delineando-os como melhor lhe cabe.
É o coração que nos interioriza, harmoniza e sensibiliza, e agrega mais preciosidades do que aparenta. Pode ser um tanto caótico quando por vezes ignorado, então temos de fazer questão em lhe oferecer, ao menos, um pouco da afetuosidade, talvez não suficiente, ainda que restante, desta tão trôpega rotina.

Este coração é único em cada um.

Por fim, os nossos dois corações portam suas respectivas funções e âmbitos, sempre bastante diferenciados. Um coordena células, e o outro, nosso espaço-tempo opinativo e visionário; um é composto por músculos cardíacos, e o outro, por um sentimentalismo bem curioso.
Todavia, ambos, sem hesitação, dão-se as mãos e travam conflitos, seja contra pertubações ou contra conceitos, somente para explicitarem suas asas otimistas e sua disposição milagrosa de, diariamente, nos tornarem humanos.




Olá! Como vão? Espero que muito bem!Inicio aqui com um texto que escrevi recentemente e que, junto ao apoio de minha mãe e de minha cunhada, Mara Vanessa (por favor, visitem o maravilhoso e talentoso blog dela, http://azuldesetembro.blogspot.com/), fiquei encorajada a postar. Novamente, espero que lhes agrade! Ah, e um detalhe: "kokoro x kiseki", em japonês, significa "coração x milagre", e também é o nome de uma música do Vocaloid! Assim que possível, ponho o                  
link!
(Créditos pelo amoroso gif do chaos pertencem a seu criador, e não mim!)
           
           Muito obrigada pela visita! 

           Beijos,

           Bell